Acredito em mentores, não em gurus

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A dúvida não é um estado muito agradável, mas a certeza é um estado absurdo.

Essa frase atribuída ao filosofo francês Voltaire grita nos meus ouvidos um paradoxo perigoso que nos afeta de forma trágica.

Quanto maior forem nossas dúvidas e incertezas, mais buscamos conforto numa voz dominante que nos acalme, que nos diga, ainda que mentirosamente, que sabe o caminho. Que nos conduzirá pelas tormentas com seu barco inafundavel como o Titanic e, a esse messias nos agarramos com unhas e dentes, crentes do seu conhecimento e sabedoria – embarcamos em sua nau.

O paradoxo abominável surge quando, de fato em momentos de grande incerteza e volatilidade, o que mais precisamos é do olhar e conhecimento de muitos para que as decisões sejam tomadas com maiores chances de acerto.

Nos momentos de profunda turbulência precisamos, antes de um capitão dominante e enérgico que guia seus comandados, de uma tripulação que, ao trabalhar em equipe, nos ajude a enxergar as complexidades com vários olhos, expertises e sentimentos e aí sim, depois de definido o nosso porto, ter um capitão que nos conduza me parece ótima ideia.

Devemos, portanto, lutar contra nossa propensão psicológica de buscar salvadores em momentos de incerteza, e buscar sim, nesses mesmos momentos uma inteligência coletiva que surge não de uma voz enérgica, dominante e ruidosa, mas de muitas vozes combinadas que podem enxergar a complexidade de maneira mais completa.